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Reino Animalia IV:

Moluscos e Equinodermos

 

1. Moluscos: corpo mole, geralmente em conchas

Os moluscos são invertebrados de simetria bilateral, celomados, não segmentados e dotados de corpo mole (do latim molluscum, ‘animal de corpo mole’). A maioria é portadora de concha calcária protetora, embora algumas espécies, como as lesmas e os polvos, não a possuam. Compreendem caramujos, caracóis, lesmas, búzios, ostras, mexilhões, mariscos, lulas, polvos e outros animais menos conhecidos. Muitos deles são consumidos na alimentação humana. Há espécies que medem alguns poucos milímetros e outras que atingem dimensões monstruosas, como o calamar gigante das profundezas abissais, que pode alcançar 15 m de comprimento e pesar algumas toneladas. Algumas espécies de ostras (principalmente as encontradas nas proximidades do Sri Lanka, antigo Ceilão) produzem pérolas muito valiosas. Com relação à importância médica, é interessante lembrar os moluscos planorbídeos (Biomphalaria glabrata), que servem de hospedeiros intermediários para o desenvolvimento larvar do verme causador da esquistossomose.

a) As características gerais dos moluscos

 

b) Classes dos moluscos

O filo Mollusca compreende cinco classes principais: Amphineura, Scaphopoda, Gastropoda, Pelecypoda e Cephalopoda.

Classe Amphineura

Os anfineuros abrangem moluscos pouco conhecidos, marinhos, encontrados no fundo do mar, revelando o corpo mole protegido por oito placas calcárias sobrepostas como telhas. Quando se sentem em perigo, enroscam-se à semelhança do tatuzinho-de-quintal. São conhecidos como quítons. Exemplo: Chiton magnificus.

Classe Scaphopoda

Os escafópodos vivem freqüentemente enterrados na areia das águas rasas, mas podem também ser encontrados em profundidades de até 4. 5000 metros. Tem o corpo dotado de uma concha tubular protetora, recurvada como um grande canino, medindo cerca de 6 cm de comprimento e aberta nas duas extremidades. O animal possui um pequeno pé cônico, como o qual se movimenta o se fixa às pedras. Exemplo: Dentalium meridionale.

Classe Gastropoda

Aqui se encontram numerosas espécies de moluscos muito conhecidos. O corpo possui nitidamente cabeça, pé e massa visceral. O pé achatado em forma de palmilha e cobre toda a porção ventral da massa visceral, daí o nome da classe (do grego gaster, ‘ventre’ e pous, podos , ‘pés’). Os gastrópodos revelam como principais características:

Classe Pelecypoda

Engloba as ostras, mexilhões e mariscos. Todos portadores de concha bivalva. A cabeça é pouco desenvolvida e o pé tem forma de lâmina de machado, o que e nome da classe (do grego pelekys, ‘machado’, e pous, podos, ‘pés’).

As brânquias desses moluscos desempenham dupla função — retiram o oxigênio dissolvido na água (como qualquer brânquia) e filtram partículas alimentares e algas verdes microscópicas, que são em seguida conduzidas à boca. Por essa razão, os pelecípodos são considerados "animais filtradores". Como suas brânquias são formadas de numerosas lâminas paralelas, há quem os chame de lamelibrânquios. Também são referidos como bivalvos ou acéfalos em muitos livros. Possuem junto ao pé glândulas bissogênicas que segregam o bisso, uma espécie de visgo com o qual se prendem às rochas.

Classe Cephalopoda

Os cefalópodos não possuem concha, a não ser o Nautilus (uma espécie rara) e a fêmea do Argonauta (outra espécie também em extinção). As lulas e calamares possuem um rudimento de concha interna — a pena, siba ou gládio, de natureza calcária e rígida. A característica principal dessa classe, contudo, é a presença de pés transformados em tentáculos ligados diretamente à cabeça, explicando-se assim a origem do nome (do grego cephale, ‘cabeça’, pous, podos, ‘pés’). Os polvos (Octopus vulgaris) e as lulas (Loligo brasiliensis e Sepia officinalis) possuem, respectivamente, oito e dez tentáculos. Nos polvos, a massa visceral fica contida num saco pendente da cabeça. São também portadores de uma bolsa de tinta que utilizam nos momentos de perigo. As lulas se deslocam por um princípio de jato-propulsão, à custa da eliminação brusca e violenta de égua por um sifão situado junto à reprega do manto que forma as brânquias.

Os polvos possuem tentáculos com ventosas que ajudam a fixação do animal às pedras ou a retenção das suas presas. Há nesses animais um par de olhos que atingem máximo desenvolvimento em invertebrados. São olhos muito parecidos com os dos animais superiores, tendo córnea, íris com pupila, cristalino e retina com bastonetes, que permite a formação de imagens bem definidas.

 

2. Equinodermos: invertebrados exclusivamente marinhos

Os equinodermos (do grego echinos, ‘espinho’, ‘ouriço’, e derma, ‘pele’) são animais estritamente marinhos dotados de um endoesqueleto calcário formado de placas dependentes ou articuladas, na maioria das vezes originando proeminências, como espinhos, abaixo da epiderme, daí o nome do filo. Compreendem as estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar, os pepinos-do-mar etc.

Não existe nenhuma espécie de equinodermo adaptada à água doce. Talvez isso se justifique por sua suposta origem a partir de grupo mais adiantados e marinhos que regrediram, tomando-se fixos, sofrendo involução da cabeça e assumindo simetria radiada na fase adulta.

Seus espécimes apresentam algumas particularidades importantes que devem ser vistas logo de início, pois os distinguem dos demais invertebrados. São:

 

a) As características dos equinodermos

Uma das características mais marcantes é a presença de um complexo sistema de lâminas, canais e válvulas, denominado sistema aqüífero. Este sistema relaciona-se com a locomoção, secreção, respiração, circulação e até mesmo com a percepção do animal.

Outras características básicas:

Merece destacar também a maneira de formação do celoma nos equinodermos. Nestes animais, o celoma tem origem em bolsas ou sacos celomáticos, que surgem por evaginações laterais das paredes do intestino primitivo ou arquêntero. Diz-se que a formação do celoma por este processo é entorocélica (do grego enteron, ‘intestino’, e keilos, ‘cavidade’). Esse processo só ocorre com os equinodermos e com os cordados. Com exceção dos equinodermos, todos os invertebrados têm celomação esquizocélica, isto é, a partir de brotos celulares endodérmicos que se desprendem das faces laterais do arquêntero, multiplicam-se e se separam, delimitando então a cavidade celomática que, aos poucos, vai se constituindo.

Há ainda mais um detalhe importante: durante o desenvolvimento embrionário estabelece-se a gástrula, que tem a forma de um balão. A "boca" desse balão é o blastóporo. Em muitos animais, após o desenvolvimento completo do embrião, o blastóporo permanece com a função de boca. Esses animais são classificados como protostômio (do grego proto, ‘primitivo’, e stoma. ‘boca’). Nos animais mais evoluídos, o blastóporo fica reduzido, no animal já formado, à função de ânus. A boca surge de uma nova cavidade que aparece na porção anterior do corpo. Esses animais são denominados deuterostômios (do grego deuteros, ‘segundo’, e stoma, ‘boca’). Também sob este aspecto, os equinodermos (todos deuterostômios) são os invertebrados que mais se aproximam dos cordados, uma vez que moluscos, artrópodos, anelídeos e asquelmintos são todos protostômios.

Existem células tácteis e olfativas espalhadas por toda a superfície do corpo dos equinodermos. Nas estrelas-do-mar, encontram-se grupos de células fotorreceptoras que atuam como minúsculos olhos nas extremidades dos braços.

Os equinodermos são todos de vida livre. Nunca formam colônias e não há espécie parasita. O corpo não revela segmentação. Desprovidos de cabeça, eles têm um sistema nervoso elementar, com um anel nervoso ao redor esôfago, do qual partem nervos radiais que se dirigem os braços ou para os lados (nos que não têm braços). O tubo digestivo é simples. Nas estrelas e nos ouriços, a fica voltada para baixo (face oral) e o ânus fica voltado para cima (face aboral). Nos ouriços, existe junto á boca um órgão chamado lanterna-de-aristóteles, organizado por cinco dentes calcários fortes e afiados, cujos movimentos são coordenados por músculos desenvolvidos. Nas estrelas, esse órgão não existe, mas em compensação o intestino (que se segue ao estômago) é provido de cinco pares de cecos digestivos, que se dispõem na direção dos braços.

Não há um sistema circulatório típico, já que podemos encontrar apenas alguns canais em contato com o celoma, pelos quais circula um líquido claro com amebócitos. Esses canais vão até as brânquias, em número de 10, situadas ao redor da boca, onde ocorrem as trocas gasosas com o meio ambiente e a eliminação dos produtos de excreção. Consequentemente, não há sistema excretor definido nos equinodermos

Os equinodermos revelam sexos separados (animais dióicos) e fazem a fecundação externa (o encontro dos gametas ocorre na água). Há diversos tipos de larva, todas ciliadas, mas a mais comum é o plúteo. Algumas espécies realizam a regeneração com muita facilidade. Entre as estrelas, até mesmo o fragmento de um braço pode reconstituir um animal inteiro.

O principal sistema desenvolvido pelos equinodermos é o sistema aqüífero ou ambulacrário, característico desse filo. Ele se compõe de: placa madrepórica (pequena lâmina circular com numerosos orifícios), localizada na face aboral junto ao ânus; canal pétreo, por onde circula a água do mar que entrou pela placa madrepórica; anel periesofagiano, conduto circular que dá prosseguimento ao canal pétreo e do qual saem as vesículas de Poli e os cinco canais radiais, que se expandem por zonas especiais, dispostas radiadamente no corpo do animal. Cada canal radial emite numerosas ampolas, das quais partem os pés embulacrários. A água penetra pela placa madrepórica, percorre todo o sistema ma e é eliminada pelos terminais dos canais radiais. Ao passar pelas ampolas, pode ser compelida (por pressão com os músculos) a entrar nos pés ambulacrários, que se estufam para a frente. Como esses pés possuem ventosas nas extremidades, isso pode permitir ao animal fixar-se num substrato ou reter um alimento. A contração de outros músculos pode devolver a água às ampolas, determinando a retração dos pés ambulacrários. Todo o sistema aqüífero ou bulacrário é apenas uma especialização de parte do celoma dos equinodermos.

 

b) As classes dos equinodermos

O filo Echinodermata compreende cinco classes:

Classe Crinoidea (Crinóidea)

Animais fixos, dotados de um pedúnculo, com mentos semelhantes a rizóides, que servem para fixação rochas. Dez tentáculos ramificados que lhes dão aspecto de flor. Conhecidos vulgarmente como lírios-do-mar (Antedon meridionalis). Alguns são flutuantes, com certa capacidade para nadar.

Classe Ophiuroidea (Ofiuóidea)

Equinodermos livres, corpo achatado em forma moeda com cinco tentáculos serpentiformes muito móveis. Conhecidos como serpentes-do-mar (Ophiura cinerea)

Classe Asteroidea (Asteróidea)

Animais bentônicos (que vivem somente no fundo d’água), apresentando movimentos discretos dos braços ou deslocando-se mesmo sem mexê-los, apenas com expansões e retrações dos pés ambulacrários, que formam fileiras, aos pares, na face inferior de cada braço. Possuem manchas ocelares (órgãos visuais) nas extremidades braços. Carnívoros. Devorem ostras e ouriços-do-mar. Para tanto, costumam everter o próprio estômago sobre a vítima. Depois de digerir parcialmente o alimento, o estômago é recolhido ao interior do corpo. Número de braços variável de acordo com a espécie. Conhecidos como estrelas-do-mar (Astropecten bresiliensis e numerosíssimas outras espécies).

Classe Echinoidea (Equinóidea)

Corpo semi-esférico ou globoso, desprovido de braços ou tentáculos, mas recoberto de espinhos grandes e numerosos com certa mobilidade. Conhecidos como ouriços-do-mar. Possuem lanterna-de-aristóteles. Alguns ouriços têm o aspecto achatado de um escudo. São chamados de escudos-de-são-jorge, corrupios ou pindás (muito encontrados no nosso litoral, principalmente em Santos).

Classe Holothuroidea (Holoturóidea)

As holotúrias, possuem corpo alongado, mais ou menos cilíndrico, mole, com alguns pequenos tentáculos — brânquias — ramificados ao redor da boca. Vulgarmente, são os pepinos-do-mar, que vivem no meio das rochas ou sobre a areia no fundo do mar, mas não muito longe da costa, em pequenas profundidades.