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A Idade das Plantas

 

Em matéria de idade o vastíssimo Reino dos Vegetais oferece os mais impressionantes contrastes.

Dividamos, antes de tudo, teus membros em dois grupos bem distinos: o das ervas e o das árvores. Realmente, existe uma enorme diferença entre a duração de uma e das outras.

A grande maioria das ervas cumpre o seu ciclo vital dentro dos limites de um ano solar, e muitas espécies, além disso, não vivem mais do que uns meses, ou seja, da primavera ao sobrevir do outono. Mais longa vida, ao invés, têm as ervas que os cientistas chamam de bienais, mas, na realidade, o termo é impróprio, porque seu ciclo não se cumpre dentro dos limites de dois anos solares, mas sim dentro do desenvolvimento de duas estações iguais (de uma primavera a outra ou de um verão a outro). Enfim, há outras ervas, denominadas vivazes, cuja vida tem uma duração indefinida. São, estas, as plantas bulbosas, rizomáticas, tuberosas (por exemplo, a batata ou a tulipa), as quais, após cada florescimento, perdem todas as partes aéreas (isto é, crescidas na superfície do solo), mas conservam, ainda, bem vivo oculto na terra, o bulbo, o rizoma ou o tubérculo. Destes, nos anos sucessivos, desenvolve-se de novo a planta, até que circunstâncias externas não intervenham para destruí-la.

As árvores, ao invés, são longevas, muito mais do que os homens. Podemos, até, estabelecer este princípio: a vida das árvores não teria fim, se um fator externo não sobrevivesse para minar diretamente as fontes de sua vida. Todos nós sabemos, aproximadamente, o que provoca nos animais (e, portanto, também no Homem, animal inteligente) a velhice ou a morte: o uso contínuo dos órgãos faz com que eles se desgastem e se tornem inadequados para desenvolver determinada função a que foram destinadas, para o bom andamento da maravilhosa máquina que é o corpo. nas árvores, o envelhecimento é apenas aparente. Mesmo que sua capacidade de crescer se detenha cada ano ao chegar a estação menos adequada, mesmo que ela continue a vegetar por todo o ano solar (mas, também neste caso, sua atividade, em certos períodos, vai-se afrouxando) a árvore renova-se continuamente, substituindo os órgãos velhos por outros novos.

As árvores podem, pois, ser consideradas como criaturas privilegiadas que, por um maravilhoso dom da Natureza, gozam de uma perpétua juventude. Não morrem de velhice, mas sim por causas externas e independentes delas. O Homem, o último chegado ao grande reino da Natureza, mas seu principal destruidor, não é seu único inimigo; as árvores tem milhões de outros inimigos, bem mais perigosos que ele, desde os microorganismos vegetais (o bolor) e animais, até os maiores mamíferos, sem contar as grandes chuvas, as inundações, os ciclones, os gelos imprevistos, os terremotos, as erupçõe vulcânicas, e tantos outros fatores ocasionais. Algumas delas, porém, conseguem viver ainda por milênios.

Plátanos, nogueiras, pinheiros, eucaliptos enormes e de idade aniquíssima encontra-se em todos os continentes. Nos países extra-europeus, é mais fácil encontrar árvores ultramilenares: o espetáculo mais grandioso nos é reservado pela sequóias, que se acham na Califórnia, na Sierra Nevada: dizem que as mais antigas delas contam mais de 4 000 anos de idade. No tronco de uma dessas gigantes, que se erguem às vezes até 110 metros de altura, foi encontrada uma igrejinha em que se podem reunir cerca de 100 pessoas.