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O Mundo Dos Selos

 

Até a metade do século passado, era hábito constante, em todos os países, que a importância para a expedição da correspondência fosse paga pelo destinatário, à chegada do despacho postal. Isso, naturalmente, trazia sempre seus inconvenientes, seja porque podia acontecer que a pessoa a quem a carta era destinada não fosse encontrada, seja porque esta não se achava em condições de pagar a taxa fixada.

A adoção do selo foi, por isso, uma verdadeira e própria revolução de ordem econômica e administrativa, pois esse pedacinho de papel é, realmente, colado na correspondência pelo remetente e garante à Administração dos Correios, antecipadamente, a despesa da remessa. O idealizador do selo foi um funcionário dos correios britânicos, Sir Rowland Hill, e a inovação, segundo alguns, foi-lhe inspirada por uma experiência pessoal. Um dia, ele teria entregue a uma jovem uma carta que lhe fora expedida pelo irmão; recebida a carta, a moça revirou-a entre as mãos, observando-a atentamente, e depois a devolveu, sem abri-la. Surpreso por esse inesperado contratempo, que lhe vedava de receber a justa recompensa pelo transporte e entrega, Rowland Hill interrogou a moça, ficando sabendo, assim, que por ela, por certos sinais convencionais escritos na sobrecarta, ficara ciente de que o irmão estava passando bem e, portanto, não lhe interessava ler a carta. É bem improvável que Sir Rowland Hill tenha sido protagonista neste episódio. É certo, contudo, que Rowland Hill foi o primeiro a propor a adoção do selo aos Correios Britânicos, os quais aprovaram a proposta, em 1840.

Em 1840 a Grã-Bretanha emitiu a primeira série oficial de um selo postal adesivo ao preço de um penny, o que lhe valeu o nome de Penny Negro. Nesse mesmo ano, foi emitido um selo azul, pelo preço de dois pennies. Estes dois selos foram tão populares que muitas pessoas os compravam não tanto para seu uso postal, mas pelo seu desenho e seu valor sentimental. Assim, o entusiasmo pelo colecionamento de selos nasceu nos dias posteriores à emissão desses exemplares. Após o êxito obtido pelos selos ingleses, por volta de 1860 a maioria das nações já havia adotado o uso do selo postal.

O Brasil foi o primeiro país da América, e o terceiro do mundo, a adotar o selo postal, por decisão do jovem imperador Pedro II. O primeiro exemplar de uma série conhecida como "olho-de-boi", por seu desenho oval, foi emitido em 1º de agosto de 1843.

O famoso selo magenta da Guiana britânica, que se vendeu ao preço de um centavo e leva o carimbo de Demerara (hoje Georgetown), de 4 de abril de 1856, é há muito tempo o selo mais caro do mundo.

Nasceram, sucessivamente, os amadores e os colecionadores de selo, ou seja, os filatelistas. A atividade que apaixona o filatélico é bastante variada e interessante. Basta pensar, por exemplo, que, através desses pedacinhos de papel colorido, ele pode conhecer paisagens, monumentos, flores, animais de países ainda não visitados, a efígie de personagens célebres, e o emblema de nações estrangeiras. Nos selos, está reproduzido o mundo inteiro e, por isso, é sempre interessante e instrutivo, além de divertido, colecioná-los.

Um funcionário do Museu Britânico foi a primeira pessoa que se interessou pela filatelia, a raiz do aparecimento do primeiro selo de correios em 1840.

Atualmente há no mundo milhões de colecionadores. Os selos ou timbres únicos e valiosos atraem os filatelistas não só pela sua beleza estética ou seu valor econômico, como também pelo seu valor histórico, geográfico, político ou artístico, ou como testemunho de muitos outros aspectos da civilização.

Com o auge da filatelia, surgiram numerosas publicações dedicadas aos selos. O primeiro catálogo de selos foi publicado na França em 1861, recopilado por Alfred Potiquet.