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A Revolução Francesa

 

Na França do final do século XVIII, a classe dos senhores feudais não apenas controlava a maior parte das terras, como governava o país praticamente sozinha por intermédio de seu representante, o rei. Esses nobres gozavam de inúmeros provilégios, pois, além de ficarem com boa parte de tudo que produziam os camponeses, não pagavam impostos e somente podiam ser julgados por seus iguais.

A outra classe poderosa da sociedade — a burguesia —, apesar de enriquecida graças à expansão do comércio e ao aumento da produção industrial, não tinha voz na administração e nem participava das grandes decisões nacionais. Além disso, seus negócios eram prejudicados pelo excesso de impostos e taxas aduaneiras que numerosos feudos cobravam para permitir a passagem das mercadorias. Da mesma forma a renda era muitas vezes divididas pelo monarca entre seus protegidos nobres e cortesões, que geralmente levavam vida ociosa, dedicada aos prazeres e ao luxo.

Ao mesmo tempo, os primeiros passos da industrialização coincidiam com o agravamento da crise nos campos, determinada pelo aumento excessivo da população e pelas sucessivas reduções das colheitas. Em conseqüência, as duas últimas décadas do século XVIII caracterizaram-se por longos períodos de fome que atingiam duramente os camponeses e as camadas pobres da cidade.

Aproveitando essa situação de miséria, a burguesia passou a pregar a necessidade da abolição de alguns privilégios da nobreza e do clero. Seria a única solução para a crise. Mas a aristocracia reagiu violentamente contra essas idéias, já aceitas, inclusive, por alguns ministros do rei Luís XVI.

Pouco a pouco, a burguesia recebeu o apoio de outras camadas da população e, com o nome do Terceiro Estado, assumiu a liderança das agitações populares que sacudiram o país a partir de julho de 1788.

O rei não deu ouvidos às exigências do Terceiro Estado, que se declarou em Assembléia Nacional e depois se transformou na Assembléia Constituinte, que aproveitou a Declaração dos Direitos do Homem (estabelendo os direitos e garantias para o exercício das liberdades individuais). A fim de impedir que o Terceiro Estado deliberasse, o monarca mandou fechar o local onde se reuniam. Os deputados mantiveram-se então em sessão permanente em outro local. A agitação cresceu em Paris, e, no dia 14 de julho de 1789, soldados da Guarda Nacional juntaram-se aos operários, artesãos e mendigos que tomaram a Bastilha (prisão na qual estavam os inimigos da monarquia). Os nobres tentaram reagir, mas as massas atacaram o palácio do rei, obrigando-o a fazer algumas concessões à revolução.

Depois de outorgar a Constituição ao país, em 1791, os burgueses da Assembléia deram por encerrada a sua tarefa revolucionária. O povo, entretanto, liderado por homens como Robespierre, Jean-Paul Marat e Saint-Juste, passou a exigir mais medidas efetivas contra a carestia e a falta de alimentos. As agitações tornaram-se então ainda mais violentas.

Por essa ocasião, as monarquias européias — Áustria, Prússia, Rússia, Inglaterra, etc. — aliaram-se e invadiram a França com o objetivo de esmagar a revolução. Contudo, seus exércitos foram derrotados em Valmy pelas tropas e as massas revolucionárias francesas. O rei Luís XVI e sua mulher, Maria Antonieta, tentaram fugir da França, mas foram presos perto da fronteira e, depois de julgados por crime de traição, executados na guilhotina. Nessa fase de radicalização, o poder foi praticamente entregue a Robespierre, o Incorruptível, que em pouco tempo mandou executar a maioria dos inimigos da revolução.

Aproveitando-se de uma momentânea queda de prestígio dos revolucionários parisienses, a burguesia retomou o controle da situação, fez executar alguns líderes populares, entre eles Robespierre, e adotou uma série de medidas destinadas a estabilizar o regime: reforma agrária, que distribuiu terras a mais de 3 milhões de novos proprietários; controle dos preços dos gêneros de primeira necessidade; abolição da prisão por dívidas; extinção da escravatura nas colônias, etc.

Durante o governo do Diretório (1975/99) foi promulgada a nova Constituição, que atribuiu o Poder Executivo a cinco diretores e o Legislativo a duas câmaras (a dos Quinhentos e o Conselho dos Anciãos).

Apesar das sucessivas vitórias militares contra as monarquias européias, a situação interna era de crise. Foi para pacificá-la que o Diretório entregou o poder ao jovem general Napoleão Bonaparte, que consolidaria o domínio da burguesia.